Arquitetura de Agentes

Por que um agente de IA sozinho resolve pouco

Por Edson Gatto · · 4 min de leitura

O ponto de partida

Se o modelo mais avançado do mercado responde por só 6% do uso real das empresas, a pergunta "qual IA você usa" perdeu boa parte da importância.

A pergunta que sobrou é outra: as partes conversam entre si, ou cada uma trabalha sozinha na sua sala?

A diferença entre pedir e montar um caminho

Pedir para um agente é isto: você abre uma conversa, pede uma coisa, recebe a resposta e faz todo o resto na mão.

Montar um caminho é outra coisa. É definir uma sequência. Uma parte do sistema classifica o que chegou. Outra busca a informação certa do seu negócio. Uma terceira executa. E você entra exatamente no ponto em que o risco exige alguém olhando, nunca antes, nunca depois.

Essa é a lógica do ENGINE², o desenho que eu uso para montar agente. Começa por definir o escopo, passa pela Base de Conhecimento do negócio, e só então chega na regra do que a máquina pode decidir sozinha.

Autonomia sem regra escrita não é sistema

"Agente autônomo" virou palavra bonita e todo mundo quer o sistema que roda sozinho.

Só que autonomia sem regra escrita é o caminho mais curto para um erro caro passar despercebido, porque ninguém estava olhando o passo do meio.

Autonomia de verdade se constrói de trás para frente. Primeiro a régua: o que o sistema decide sozinho e o que ele obrigatoriamente joga para um humano. Depois a automação em cima dessa régua. Nessa ordem, nunca ao contrário.

Onde isso aparece no seu negócio

Não é sobre ligar dez ferramentas. É sobre achar onde uma decisão passa por várias etapas que hoje você faz uma a uma, na mão:

  • Um cliente novo chega, precisa ser qualificado, entrar no sistema e receber a primeira resposta. São quatro etapas, e quatro pontos por onde o tempo escorre.
  • Um documento chega, precisa ser lido, comparado com uma regra interna, e só então vira decisão.
  • Alguém pergunta uma coisa, o sistema busca a resposta certa do seu negócio, escreve no seu tom, e passa para você só quando o assunto cruza uma linha que você mesmo definiu.

Cada uma dessas correntes é candidata a virar sistema. Nenhuma delas precisa do modelo mais caro do mercado. Precisa de desenho.

Conclusão

O modelo virar item comum não é má notícia. É a confirmação de que a disputa mudou de lugar. Já não é sobre ter acesso ao cérebro mais avançado, e sim sobre saber montar o caminho com o que está disponível para todo mundo.

Quem entender isso primeiro no seu setor sai na frente. Não por ter tecnologia melhor. Por ter desenho melhor.

Perguntas frequentes

Preciso de várias ferramentas para montar isso?
Não. A maioria dos casos começa com um sistema só, bem definido, e cresce a partir dali.
O que é uma regra de escalonamento, na prática?
Uma frase escrita dizendo em que situação a máquina para e chama você. Precisa ser específica o bastante para não depender de interpretação.
Dá para começar sem integrar nada?
Dá, e costuma ser o melhor começo. Integração resolve volume, e volume não é o problema de quem ainda não desenhou o processo.
Como sei se um processo meu é candidato?
Se ele passa por mais de duas etapas, se repete toda semana e o erro é recuperável, é candidato. Se envolve julgamento que só você tem, não é.