O padrão do escritório existe. Ele só não está escrito em lugar nenhum.
Por Edson Gatto · · 3 min de leitura
Este texto descreve um padrão comum em escritórios de arquitetura de porte pequeno, não um cliente específico.
O padrão
O escritório tem qualidade consistente no projeto e um processo de documentação que recomeça do zero toda vez.
Memorial descritivo, contrato, ata da reunião de briefing. Cada um escrito na mão, abrindo pasta antiga para lembrar como o escritório costuma formular determinada cláusula.
Horas de prancheta viram horas de documento. E, mesmo assim, o resultado sai diferente de projeto para projeto, dependendo de quem escreveu e de quanto tempo essa pessoa tinha.
O que dá para construir
Uma Base de Conhecimento com os padrões reais do escritório, e não com modelo genérico de internet:
- O memorial descritivo do jeito que o escritório escreve, com a estrutura que ele já usa
- As cláusulas contratuais já validadas juridicamente, prontas para adaptar por projeto
- O roteiro de briefing com as perguntas que o escritório sempre faz ao cliente novo, inclusive as que ele aprendeu a fazer depois de se queimar
Com isso, o briefing preenchido gera a primeira versão do memorial e do contrato. O arquiteto responsável revisa, ajusta o que é específico daquele projeto e assina.
O que muda
A primeira versão deixa de partir da página em branco.
Mas o ganho que interessa não é esse. É o padrão do escritório virar padrão de verdade, escrito, em vez de continuar sendo uma coisa que só quem está lá há oito anos sabe reproduzir.
Isso também resolve um problema que aparece depois: quando entra gente nova, ela tem de onde partir.
Onde isso não serve
Se cada projeto do escritório é radicalmente diferente do anterior, não há padrão para extrair, e a tentativa de criar um vai atrapalhar mais que ajudar.
E cláusula contratual continua precisando de revisão jurídica. O sistema reaproveita o que já foi validado, não valida nada por conta própria.
Perguntas frequentes
- Isso não deixa os documentos todos iguais?
- A base é igual, o conteúdo específico é do projeto. É o mesmo princípio de ter um padrão de desenho técnico e ainda assim projetar coisas diferentes.
- Quem escreve a primeira versão da base?
- Quem tem o padrão na cabeça, que costuma ser o sócio mais antigo. É trabalho de uma vez, e é o mais difícil de terceirizar.
- E se o escritório for de uma pessoa só?
- Aí o ganho é ainda mais direto, porque não existe ninguém para quem delegar a redação hoje.
- Quanto tempo leva para montar?
- Depende de quantos modelos bons já existem em pasta. Escritório que guarda os próprios documentos parte de bem mais perto do que imagina.