Inteligência Estrutural

O que os números mostram sobre o pequeno negócio brasileiro e a IA

Por Edson Gatto · · 4 min de leitura

Um retrato com quase 5 mil empresas

O Sebrae fez um levantamento com a FGV e o Google, ouvindo quase 5 mil empresas brasileiras. É um dos poucos dados nacionais grandes o bastante para dizer alguma coisa confiável sobre como o país usa IA de fato, e não sobre como acha que usa.

O retrato muda conforme o tamanho da empresa. É justamente nessa diferença que está a parte útil para quem toca um negócio pequeno ou médio.

IndicadorMédias e grandesPequenas e médiasMicroempreendedor
Conhecem ferramentas de IA99%96%87%
Aplicam no negócio63%46%42%
Uso principalAnálise de dados (67%)Marketing (59%)Marketing (74%)
Maior barreiraSegurança e privacidade (35%)—Não saber o que fazer com ela (23%)

Conhecer não é a mesma coisa que aplicar

Olhe a primeira linha e depois a segunda.

Quase todo mundo já conhece, em qualquer tamanho de empresa. A diferença aparece na hora de usar, e ela cai conforme a empresa fica menor. Não é porque o negócio pequeno seja mais atrasado. É que ele tem menos gente e menos estrutura para transformar aquilo que conhece em alguma coisa que funciona na rotina.

Cada tamanho usa IA para uma coisa diferente

Empresa média e grande usa principalmente para análise de dados. Negócio pequeno e microempreendedor convergem para marketing, e no caso do MEI isso chega a três de cada quatro.

Faz sentido. Marketing é onde o retorno aparece rápido e visível para quem tem equipe pequena: uma legenda, um texto de anúncio, uma peça. Não exige organizar dado nenhum antes de começar.

O problema é que o ganho para aí. Marketing melhora, e o resto da operação continua exatamente igual.

A barreira muda de nome dependendo de quem responde

Empresa grande aponta segurança e privacidade. Microempreendedor aponta outra coisa: não saber o que fazer com a ferramenta além do óbvio.

São dois problemas diferentes, que pedem soluções diferentes. Um trava em regra e controle. O outro trava em aplicação prática, que é exatamente o ponto onde estruturar um processo resolve mais do que instalar mais um aplicativo.

Conclusão

O dado mais importante do levantamento não é nenhum número isolado. É o padrão que aparece nas quatro linhas da tabela: a distância não está no acesso à tecnologia, está na estrutura para aplicar o que já se conhece.

Isso vale para empresa de qualquer tamanho. O que muda é só a barreira que trava cada uma.

Perguntas frequentes

Esses números valem para o meu setor?
A pesquisa cobre empresas de vários portes e setores. O padrão de conhecer muito e aplicar pouco se repete em todos eles.
Sou microempreendedor. Faz sentido investir nisso agora?
42% dos MEIs já aplicam alguma coisa. A pergunta deixou de ser se dá para fazer e passou a ser em que ordem começar.
Por que marketing aparece tanto e o resto da operação tão pouco?
Porque marketing dá retorno visível rápido e não exige organizar dado nenhum antes. O resto da operação exige, e é aí que a maioria para.
A pesquisa é de uma empresa que vende ferramenta de marketing. Isso enviesa?
Vale considerar. Por isso os números que importam aqui são os de comportamento declarado, com metodologia aberta: 2.790 respondentes, 95% de confiança e margem de 2,5%.