Arquitetura de Agentes

O modelo de IA que você usa importa menos do que parece

Por Edson Gatto · · 4 min de leitura

Um dado que contraria todo anúncio de lançamento

Toda semana algum laboratório anuncia o modelo mais inteligente já construído. Enquanto isso, um levantamento de mercado de agosto mostra outra coisa: o modelo mais avançado disponível responde por apenas 6% do uso real dentro das empresas.

Todo o resto está em modelos mais baratos, bons o suficiente para o que precisava ser feito.

  • Uso corporativo no modelo mais avançado: 6%
  • Uso em modelos mais baratos: 94%

Isso não é empresa pequena economizando. É o mercado inteiro, operação grande incluída, votando com o próprio uso.

Se todo mundo tem o mesmo motor

Pense em dois negócios do mesmo setor, mesmo tamanho, com acesso ao mesmo tipo de IA. Hoje isso custa parecido para os dois. O que faz um ter resultado muito melhor que o outro?

Não é o motor. É o que você coloca dentro dele.

Um sistema genérico sabe o que qualquer pessoa acharia pesquisando na internet. O que ele não sabe é como o seu negócio decide. Quais casos você recusa e por quê. O que você aprendeu a nunca prometer. Como você responde um cliente irritado, e como isso muda quando ele é cliente de dez anos.

Nada disso vem de fábrica em modelo nenhum. É o que chamamos de Base de Conhecimento: a informação, as regras e os critérios do seu negócio, escritos de um jeito que a máquina consegue consultar toda vez que precisa responder alguma coisa.

Por setor, não em geral

Advocacia não precisa da mesma base que corretora de seguros. Clínica não precisa da mesma base que escritório de arquitetura.

Cada área tem seu vocabulário, seus riscos e suas linhas que ninguém cruza. No método a gente chama essas linhas de Red Lines: o que o sistema nunca decide sozinho, escrito antes de ligar qualquer coisa. Num consultório, é qualquer coisa que se pareça com diagnóstico. Numa corretora, é qualquer promessa de cobertura que dependa de análise.

É o contrário de instalar um robô de atendimento e torcer para ele entender o seu negócio sozinho.

Por que isso é boa notícia para quem é pequeno

Se o que decidisse fosse o modelo, só quem tem verba de multinacional ganharia.

Como o que decide é aquilo que você sabe, escrito e organizado, a vantagem passa a estar ao alcance de qualquer negócio disposto a fazer esse trabalho. Empresa grande, aliás, costuma ter bem mais informação bagunçada para arrumar antes de conseguir começar.

Um negócio pequeno, com um dono que sabe exatamente o que faz diferente do concorrente, às vezes tem o caminho mais curto até ali.

Conclusão

Pare de perguntar qual é a melhor IA do momento. Comece pela outra pergunta: o que da sua experiência ainda não está escrito em lugar nenhum?

É isso que decide se o seu sistema vai ser genérico ou vai ser seu.

Perguntas frequentes

Então não vale a pena pagar pelo modelo melhor?
Vale para algumas tarefas e não vale para a maioria. O erro caro é usar o mais caro em tudo por precaução.
O que exatamente entra numa Base de Conhecimento?
O que só quem opera o negócio sabe. Critérios de decisão, casos que você recusa, o que aprendeu a nunca prometer, como responde uma situação difícil.
Preciso de muita informação para começar?
Não. Um processo bem descrito rende mais que dez pastas de arquivo sem organização nenhuma.
Isso não fica desatualizado rápido?
O modelo por trás muda toda hora. O que você sabe sobre o seu negócio muda devagar, e é justamente por isso que ele é a parte que vale estruturar.